Portugal vai pagar mais de 1.000 milhões por cada fragata italiana: preço supera o pago pela Marinha de Itália

Portugal deverá pagar entre 3.000 e 3.100 milhões de euros pelas três fragatas que vai adquirir a Itália, um valor que coloca o custo de cada navio acima dos 1.000 milhões de euros.

A comparação com a aquisição de navios semelhantes pela Marinha italiana revela uma diferença significativa. Segundo o Expresso, Itália contratou duas fragatas FREMM EVO por cerca de 750 milhões de euros cada, enquanto o valor previsto para Portugal representa um custo pelo menos 25% superior por unidade.

A compra é o maior investimento português financiado através do programa europeu SAFE, criado para reforçar a capacidade de defesa dos Estados-membros.

Montenegro revela finalmente o valor das três fragatas

O preço da operação tinha sido mantido sob confidencialidade pelo Ministério da Defesa Nacional. A situação mudou esta semana, quando o primeiro-ministro Luís Montenegro revelou publicamente o intervalo previsto para a aquisição.

Durante uma visita ao navio-patrulha oceânico Setúbal, o chefe do Governo indicou que as três fragatas deverão representar um investimento entre 3.000 e 3.100 milhões de euros.

O valor divulgado inclui uma operação que vai muito além da simples compra dos navios. O investimento está associado também às necessidades específicas da Marinha portuguesa e aos custos que resultam da integração e operação das novas plataformas.

Por que razão Portugal paga mais do que Itália?

A diferença tornou-se particularmente relevante depois de ser conhecido o preço pago pela Marinha italiana por duas fragatas FREMM EVO.

Itália terá contratado cada navio por cerca de 750 milhões de euros. Aplicando esse valor às três unidades, a referência italiana seria de aproximadamente 2.250 milhões de euros.

No caso português, o custo anunciado situa-se entre 3.000 e 3.100 milhões de euros.

Isto significa que a referência portuguesa fica entre 750 e 850 milhões de euros acima desse valor italiano, antes de considerar alguns dos custos adicionais associados ao programa português.

O Ministério da Defesa Nacional, contudo, considera que uma comparação direta entre os dois contratos não é suficiente para avaliar o custo final da operação.

Governo aponta diferenças entre os dois contratos

A Defesa argumenta que os navios portugueses não podem ser comparados com as unidades italianas apenas com base no preço de aquisição.

Um dos motivos apresentados é o facto de a Marinha italiana já operar 10 fragatas FREMM, ainda que não sejam do novo modelo EVO. Essa experiência permite a Itália utilizar capacidades e estruturas que Portugal terá de criar ou reforçar para receber as novas embarcações.

O contrato português inclui, segundo o Ministério da Defesa, componentes de capacitação diretamente relacionados com o fornecimento dos navios.

Também existem diferenças nos requisitos operacionais.

Portugal pretende adaptar as fragatas às necessidades específicas da sua Marinha e à operação no Atlântico. Essas alterações podem envolver diferentes configurações, sensores e sistemas de armas relativamente à versão utilizada pela Itália.

É precisamente neste ponto que a Defesa considera que a comparação de 750 milhões de euros por navio pode induzir em erro se for feita sem considerar todo o conteúdo dos contratos.

Fragatas terão sistemas adaptados à realidade portuguesa

A localização geográfica de Portugal é outro dos argumentos apresentados pelo Governo.

As futuras fragatas terão de estar preparadas para operações em águas atlânticas, o que implica requisitos diferentes dos considerados para a configuração italiana.

De acordo com a explicação do Ministério da Defesa, serão necessários sensores específicos e outras adaptações operacionais.

A configuração dos sistemas de armas também poderá contribuir para a diferença de preço entre as embarcações portuguesas e as italianas.

Ou seja, embora os navios pertençam à mesma família de fragatas, o Governo sustenta que não se trata de contratos exatamente equivalentes.

Mais 800 milhões de euros para manutenção

Além do valor associado às fragatas, a operação portuguesa prevê ainda cerca de 800 milhões de euros destinados à manutenção.

Este montante ajuda a explicar por que razão o programa representa um investimento muito superior ao simples preço de aquisição dos três navios.

A Defesa também sublinha que os valores devem ser analisados tendo em conta o momento em que os equipamentos serão efetivamente entregues.

Segundo o Ministério, o preço utilizado para a operação considera o valor que os bens terão daqui a quatro anos, incorporando um fator de inflação.

Essa atualização é apresentada pelo Governo como uma das razões para que o valor português não possa ser comparado diretamente com preços contratados pela Itália em momentos diferentes.

Quanto vai custar cada fragata a Portugal?

Considerando apenas o intervalo anunciado pelo primeiro-ministro, as três fragatas terão um custo médio de aproximadamente:

  • 3.000 milhões de euros: cerca de 1.000 milhões por fragata;
  • 3.100 milhões de euros: cerca de 1.033 milhões por fragata.

A referência italiana divulgada para as FREMM EVO é de cerca de 750 milhões de euros por navio.

Assim, a diferença de preço situa-se, numa comparação simples, entre aproximadamente 250 e 283 milhões de euros por fragata.

É importante, contudo, distinguir esta comparação do custo total do programa português, uma vez que os contratos podem incluir diferentes equipamentos, serviços, requisitos, manutenção e outras componentes.

O maior investimento português através do SAFE

A aquisição das três fragatas constitui o principal investimento português apoiado pelo SAFE, o mecanismo europeu destinado a financiar investimentos na área da defesa.

O programa permite aos Estados-membros reforçar as suas capacidades militares através de financiamento europeu, num momento em que a União Europeia procura aumentar a produção e a capacidade de defesa do continente.

Para Portugal, as novas fragatas representam uma renovação significativa das capacidades navais e deverão assumir um papel importante na vigilância e proteção da extensa área marítima sob responsabilidade portuguesa.

Uma diferença de preço que levanta dúvidas

A divulgação do preço pelo primeiro-ministro encerra, pelo menos parcialmente, a discussão sobre a confidencialidade dos valores da operação, mas abre outra questão: por que razão Portugal vai pagar significativamente mais por navios da mesma família que a Itália?

O Governo atribui a diferença a vários fatores: inflação, configuração específica dos navios portugueses, sensores e sistemas de armas, necessidades de capacitação e outros elementos incluídos no contrato.

A comparação com os preços italianos continuará, por isso, dependente da análise detalhada dos contratos e do que está efetivamente incluído em cada aquisição.

Para já, os números conhecidos são claros: Portugal prevê gastar 3.000 a 3.100 milhões de euros nas três fragatas, enquanto a Itália contratou duas FREMM EVO por cerca de 750 milhões de euros cada.

A diferença é suficientemente grande para colocar o custo português pelo menos 25% acima da referência italiana, embora o Ministério da Defesa rejeite uma comparação direta sem considerar todas as diferenças entre os dois programas.

Fonte

Deixe um comentário