Malware em jogos da Steam roubou criptomoedas: FBI prende suspeito após milhares de computadores infetados

Um esquema que usava jogos aparentemente legítimos da Steam para distribuir malware e roubar criptomoedas chegou a uma nova fase. Depois de meses de investigação, o FBI identificou milhares de potenciais vítimas e, em julho de 2026, deteve um homem da Florida acusado de participar na operação.

Segundo a investigação federal norte-americana, o esquema terá infetado cerca de 8.000 dispositivos e comprometido aproximadamente 80 carteiras de criptomoedas, provocando perdas de pelo menos 220 mil dólares. Entre os jogos associados à campanha estão BlockBlasters, Dashverse, Lunara, PirateFi e Lampy.

O caso chama particularmente a atenção porque não dependia apenas de versões pirateadas de jogos. Alguns dos títulos chegaram a estar disponíveis numa das maiores plataformas digitais de distribuição de jogos para PC.

FBI procura milhares de possíveis vítimas

A investigação tornou-se pública em março de 2026, quando a divisão de Seattle do FBI lançou um apelo para localizar pessoas que pudessem ter sido afetadas por jogos distribuídos com malware.

A agência federal identificou sete entradas de jogos ou grupos de títulos relacionados com a investigação:

  • BlockBlasters
  • Chemia
  • Dashverse/DashFPS
  • Lampy
  • Lunara
  • PirateFi
  • Tokenova

De acordo com o FBI, a atividade investigada terá atingido utilizadores principalmente entre maio de 2024 e janeiro de 2026. A agência pediu às possíveis vítimas que fornecessem informações para ajudar a identificar os computadores e carteiras afetados.

A lista do FBI é particularmente relevante porque confirma que o problema não ficou limitado a um único jogo ou a um incidente isolado.

Suspeito foi detido em julho

A investigação deu um passo importante em julho de 2026.

O FBI deteve Zyaire Wilkins, de 21 anos, residente na Florida, que foi acusado pelas autoridades norte-americanas de participar numa operação destinada a distribuir jogos com malware.

Segundo a acusação, Wilkins e outros indivíduos teriam colocado vários jogos na Steam com código malicioso capaz de comprometer computadores, roubar palavras-passe e outros dados e procurar ativos digitais nas carteiras de criptomoedas das vítimas.

Os investigadores estimam que aproximadamente 8.000 computadores tenham sido afetados e que cerca de 80 carteiras de criptomoedas tenham sido comprometidas, com perdas de pelo menos 220 mil dólares.

É importante, contudo, distinguir acusação de condenação: as informações divulgadas pelas autoridades descrevem alegações apresentadas no processo criminal, e o caso continua a decorrer.

BlockBlasters tornou-se o caso mais conhecido

Um dos episódios mais graves associados a esta campanha envolveu o jogo BlockBlasters.

O título era um jogo gratuito de plataformas que chegou à Steam em 2025. Inicialmente, não apresentava o comportamento malicioso que posteriormente seria identificado. De acordo com investigadores de segurança, uma atualização distribuída em 30 de agosto de 2025 introduziu componentes capazes de procurar credenciais e ativos de criptomoedas.

O jogo acabou por ser removido da Steam em setembro daquele ano, depois de investigadores identificarem o comportamento malicioso.

O incidente tornou-se especialmente conhecido depois de o streamer letão Raivo Plavnieks, conhecido online como RastalandTV, ter perdido mais de 32 mil dólares em criptomoedas.

Na altura, Plavnieks estava a realizar uma transmissão para angariar dinheiro para o seu tratamento contra o cancro. O roubo ocorreu depois de o jogo malicioso ser executado no computador utilizado durante a transmissão.

Investigações posteriores indicaram que o ataque associado ao BlockBlasters terá provocado perdas superiores a 150 mil dólares entre várias vítimas.

O perigo não está apenas nos jogos pirateados

Durante anos, uma das principais recomendações de segurança para jogadores de PC foi evitar cópias pirateadas de jogos. A razão é simples: instaladores obtidos em torrents, fóruns ou sites desconhecidos podem ser modificados para incluir malware.

O caso investigado pelo FBI mostra, porém, um problema diferente.

Aqui, os utilizadores podiam encontrar os jogos numa plataforma legítima e conhecida, o que cria uma falsa sensação de segurança.

Isso não significa que todos os jogos da Steam sejam perigosos. Significa apenas que a presença de um programa numa loja digital não deve ser interpretada como uma garantia absoluta de que cada ficheiro ou atualização permanecerá livre de código malicioso.

No caso do BlockBlasters, por exemplo, a ameaça terá sido introduzida posteriormente através de uma atualização.

O que os atacantes procuravam

O objetivo da campanha não era simplesmente instalar malware nos computadores para consumir recursos.

Os ataques estavam direcionados para informação que pudesse permitir o acesso a contas e ativos digitais.

Entre os dados procurados estavam credenciais armazenadas no computador e informações relacionadas com carteiras de criptomoedas. Quando os atacantes conseguiam comprometer uma carteira, podiam posteriormente transferir os ativos para endereços controlados por eles.

O FBI afirma que a investigação identificou aproximadamente 80 carteiras comprometidas e perdas de pelo menos 220 mil dólares em criptomoedas.

O caso lembra o Crackonosh, mas existe uma diferença importante

O fenómeno não é completamente novo.

Em 2021, a Avast revelou o Crackonosh, um malware distribuído através de versões pirateadas de jogos populares. Entre os títulos utilizados para disfarçar a distribuição estavam jogos como Grand Theft Auto V, The Sims 4 e NBA 2K19.

Nesse caso, o objetivo principal estava associado à mineração clandestina de Monero.

A situação investigada pelo FBI é diferente. Em vez de depender exclusivamente de cópias pirateadas distribuídas fora das lojas oficiais, a campanha envolveu jogos que chegaram a uma plataforma digital legítima e foram utilizados para distribuir malware direcionado, entre outras coisas, ao roubo de criptomoedas.

A comparação é útil porque demonstra como a ameaça evoluiu: o problema deixou de ser apenas “baixei um jogo pirateado de um site suspeito” e passou também a envolver a cadeia de distribuição e as próprias atualizações de software.

Como evitar este tipo de ataque

Não existe uma medida capaz de eliminar completamente o risco, mas algumas práticas reduzem significativamente a possibilidade de uma infeção.

Mantenha o Windows e o antivírus atualizados. As atualizações de segurança são importantes para impedir que vulnerabilidades conhecidas sejam exploradas.

Não desative o antivírus para instalar um jogo. Se um instalador ou jogo exigir que o Windows Defender ou outro sistema de proteção seja desligado, isso deve ser tratado como um sinal de alerta.

Tenha especial cuidado com ficheiros executáveis obtidos fora da plataforma oficial. Mesmo quando o jogo parece legítimo, um instalador modificado pode conter código malicioso.

Proteja as carteiras de criptomoedas. Nunca mantenha grandes quantidades de ativos digitais numa carteira exposta a um computador utilizado diariamente para jogos e downloads.

Use autenticação multifator nas contas importantes. Isto não impede todos os tipos de malware, mas pode limitar o impacto de uma credencial roubada.

Desconfie de atualizações inesperadas ou ficheiros adicionais. O caso do BlockBlasters demonstra que o risco não termina necessariamente no momento em que o jogo é instalado.

O que este caso mostra

O caso investigado pelo FBI deixa uma conclusão importante para jogadores de PC: uma loja digital conhecida reduz o risco, mas não transforma qualquer ficheiro descarregado numa garantia absoluta de segurança.

A investigação começou por procurar vítimas de jogos específicos e evoluiu para um processo criminal que já resultou numa detenção. As autoridades continuam a tentar determinar toda a dimensão da operação e identificar outras pessoas afetadas.

Para os utilizadores, a principal lição é simples: jogos gratuitos, avaliações positivas e uma plataforma conhecida não substituem práticas básicas de segurança.

E, quando existe uma carteira de criptomoedas no computador, o custo de uma infeção pode ser muito superior ao preço de qualquer jogo.

Artigo atualizado em 11 de agosto de 2026 com informações divulgadas pelo FBI e desenvolvimentos posteriores da investigação.

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